quinta-feira, 26 de junho de 2008

Bem...
Postei o conto, gente. Espero que gostem.

Música do dia: Mystery Jets, Young Love.

Se você puder, escute a Two Doors Down. Ela também é muito legal!!!

Beijos!

Normal em Curitiba - conto

“Quero o essencial da vida”
A música de Rita Lee tocava no fone de ouvido de Giulia.
“Quero ser normal em Curitiba”
Seu lábio estava começando a rachar por causa do frio. Esquecera a manteiga de cacau em casa e por costume passou a língua na boca.
Ainda não era inverno na cidade que inspirou Rita Lee. O frio chegara pegando todos desprevenidos. Típica cidade com clima subtropical úmido, o tempo é uma caixinha de surpresas.
Giulia pegou o biarticulado na frente da praça Oswaldo Cruz em direção ao Museu Oscar Niemayer.
Era a primeira vez que andava sozinha. Desde pequena sempre foi acostumada a caminhar por Curitiba, mas sempre com a companhia do avô.
Quando menor, achava que o avô estava ali por causa da sua idade, por ser nova, andando junto em todos os lugares que a garota tinha que ir. Depois que ficou mais velha, percebeu que não era só por isso. Claro, tinha a história dela ser muito nova, mas o outro motivo era que o avô queria passar mais tempo com a neta, fazer parte da sua vida, da sua história. E conseguiu. Era difícil para Giulia andar pela cidade e não lembrar das histórias do avô. Histórias e passeios variados, desde idas ao parque até coisas que o avô contava sobre pessoas que fizeram parte da história de Curitiba.
Enquanto o ônibus andava, Giu começou a lembrar de algumas cenas que tinham acontecido há tempo:
“ -Vô Fernando, vô Fernando... Vamos na máquina?
-Que máquina, filhinha?
-Você sabe, vovô! A minha! A amarela e vermelha que tem na pracinha!
-Ah! A máquina da Praça Ouvidor Pardinho?
-Isso, a máquina da Ouvidor Patinho!
O avô ri.
-Ouvidor Pardinho, não Patinho!
-Ah... Tanto faz. Você me leva lá, vô?
-Levo... Vamos lá.
Ao chegar na praça, a menina sai correndo direto para a máquina amarela e espera que o avô a coloque dentro.
-Entra aqui também, vovozinho... Olha, eu vou te levar pra uma viagem bem longe aqui na minha máquina. Essa máquina é minha, sabia? Acho que vou escrever meu nome nela, pra quando as pessoas forem usar, elas lembrem que a máquina é minha!
-Não... Não pode escrever o nome na máquina. Isso é feio. Mas você pode me levar pra uma viagem sim! Vamos para longe.”
Giulia ri no ônibus lembrando das idas à máquina que, como descobrira há pouco tempo, era um trator para compactar o solo. Relembra das idas na gangorra, e consegue ver como se fosse hoje como o avô conseguia levantá-la no brinquedo apenas com um pé. Lembrou das gargalhadas que dava quando estava lá no alto, fazendo força para conseguir descer.
Próxima parada, Estação Catedral da Fé.
As lembranças com o avô eram tantas...
Tinham histórias que se repetiam toda semana. No domingo, por exemplo, Giu o avô e a avó iam almoçar num restaurante vegetariano no centro. Giulia fazia questão de almoçar bem rápido para poder comer sagu de sobremesa e sair para a rua em frente ao restaurante para alimentar as pombinhas. Isso mesmo. Alimentar as pombas. Vovô Fernando separava um saquinho com farelo de pão no domingo de manhã pois sabia que a netinha ia querer dar comida pros pombos. Era assim sempre.
Assim como tinham histórias que se repetiam toda semana, também existiam aquelas que se repetiam todas as vezes que seu Fernando ia ao antigo mercado Real, que ficava na frente da praça da máquina da Giulia:
“- Filhinha, você quer que o vovô compre alguma coisa pra você? – seu Fernando pergunta pra Giulia, já sabendo a resposta antes mesmo dela dizer.
-Aham. Quero sim, vô. Quero um sabonete.
- É mesmo? Você não quer ir comigo pra escolher?
-Quero. Só deixa eu colocar meu sapato, vô.
Enquanto iam ao mercado, o diálogo continua.
-Giulia?
-Que, vovozinho.
-Sabia que você é a menininha do vovô?
-Sabia, vô. Você fala isso pra mim todos os dias.
- Ah... Que bom... Só to repetindo pra você não esquecer.
-Não vou esquecer não...
Quando chegavam no mercado Giulia já ia direto pra sua seção favorita, a dos sabonetes. Olhava todos e sempre pegava o mesmo.”
A Giulia de hoje, no ônibus, faz força pra lembrar qual era o sabonete, mas não recorda. A única coisa que lembra é que, além de ir ao mercado comprar sabonete, ela também gostava de ir à feira com seu Fernando pra comprar uva passa.
Próxima parada, Estação Eufrásio Correia.
Giulia lembra de um outro passeio que fazia com seu Fernado: os dois sempre iam ao centro de Curitiba. Ora para arrumar o telefone, ir ao dentista, ora pra tomar um sorvetinho.
Um dos lugares que sempre freqüentavam era a Boca Maldita. Giulia achava o nome horrível e o avô contava o motivo do nome todas as vezes que os dois passavam por lá:
“-Tem esse nome porque as pessoas falam mal dos políticos aqui.
-Ahhh... Entendo...
-Sabia que tem até eleição pra presidente da Boca Maldita?
-Nossa, até isso?
-Sim, filhinha...”
O centro da cidade também era um passeio rotineiro, mas sempre reservava algumas surpresas. Teve uma vez que Giulia estava andando com o avô e viu um homem andando de bicicleta só de sunga, no frio. Ela ficou pasma. Não parava de perguntar pro vovô por que ele não colocava um agasalho, como ele não tinha vergonha de ficar quase sem roupa, se a mãe dele não brigava com ele e como ele conseguia suar tanto.
O avô respondia que não, ele não tinha vergonha, que não sabia se a mãe brigava com ele e que aquilo não era suor, era óleo, e que por passar óleo no corpo o homem fora apelidado de Oil Man.
Giulia ainda não conseguia entender o motivo de andar só de sunga, mas achava legal o “Oil Man” ser conhecido na cidade.
Outra pessoa que recebeu a atenção de Giulia num dia no centro foi uma mulher que ficava gritando, berrando nome de animais. “Olha a cobra, borboleta. Corre hoje”
O avô contou que essa mulher ficava gritando no centro, vendendo o jogo de loteria, desde que o pai de Giulia era pequeno. Contou também que um dia ficou tão curioso que foi conversar com a mulher. Ela disse que estava gritando o nome dos bichos há 30 anos e que uma vez uma ótica pediu para que ela fizesse propaganda de seus produtos ali mesmo, onde ela vendia o jogo; na Rua XV esquina com a Dr. Muricy.
Próxima parada, Estação Central.
A menina de hoje olha pela janela e vê uma lata de lixo. Lembra de uma aula que teve quando pequena, falando de como era importante separar o metal do plástico, o papel do lixo orgânico. Nesse dia ficou tão animada por aprender coisas novas que quando chegou em casa foi correndo contar para o avô o que tinha aprendido. Conversa vai, conversa vem, seu Fernando comenta com a menina que Curitiba foi a pioneira na coleta seletiva de lixo no Brasil.
-O que é pioneira, vô?
-A primeira a fazer.
-Uau... Sério que foi a primeira?
-Aham. Não só na coleta, ela também foi a primeira a ter esses ônibus vermelhos que nós estamos tão acostumados a usar.
-Sério?
-Sim! Hoje esse modelo de ônibus é copiado até por outros países!
-Nossa – a menina fala orgulhosa da cidade.
- Sabia que Curitiba é uma das cidades mais desenvolvidas do país? É sim... É considerada uma cidade européia.
-Uau... Vovô?
-Que, filhinha.
-O que significa Curitiba?
-Significa “lugar onde existem pinheiros”, na língua guarani.
-Nossa, vô. Você sabe de tudo mesmo, hein?!
-Ahh, minha querida – diz o avô escondendo a pontinha de orgulho - você também vai saber de tudo, é só estudar.
-Nossa... Que legal.
Próxima parada, Estação Passeio Público.
Uma história que veio na cabeça de Giulia e provocou riso na menina foi uma vez que o avô e a neta passaram na frente da praça Oswaldo Cruz e ouviram um barulho vindo da cerca viva.
-Que barulho é esse, vovozinho?
-Ahhh... Esse barulho é da cigarra...
-O que é cigarra?
-Vem aqui ver.
Os dois chegam perto da cerca e seu Fernando apontou para o bichinho.
-Nossa, vovô. Que barulho que essa tal cigarra faz!
-Pois é, Giulia. O macho da cigarra fica cantando para atrair a fêmea.
-É mesmo?
-Sim...
Os dois ficam alguns instantes olhando o bichinho e o avô continua a falar sobre o animal para a neta:
- Sabia que a cigarra fica até 17 anos vivendo de baixo da terra? É- diz o avô vendo a cara de espanto de Giulia – fica todo esse tempo. Quando sai, vive apenas duas semanas.
-Só duas, vô Fernando?
-Sim... Daí essas duas semanas que fica fora da terra a cigarra aproveita pra cantar antes de acasalar e botar os ovos.
A menina ri e comenta com o avô:
-Ela canta de um jeito engraçado. Nhé, nhé, nhé, nhhhhhhhhhhhhééééé.
O avô ri da imitação de Giulia.
-Que foi, vovô?
-Nada, filhinha. To rindo de você imitando.
A neta ri junto.
Todas as vezes que os dois passavam pela cerca viva o avô pedia para a menina imitar a cigarra, e ela imitava:
- Nhé, nhé, nhé, nhhhhhhhhhhhhééééé.
Próxima parada, Estação Maria Clara.
Giulia acorda de seus pensamentos. Era hora de descer. Tirou os fones do ouvido e esperou a porta se abrir.
Desceu, andou até a Praça Goethe e entrou na Comendador Fontana.
Começou a pensar em outros passeios com o avô.
Toda segunda e quarta a menina ia à Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Fazia piano e flauta doce.
No começo, as aulas eram numa casa na rua Ébano Pereira. Todas as vezes que iam para a aula de música os dois passavam pela Praça Santos Dumont em frente à Sinagoga.
Depois que a menina ficou mais velha, as aulas começaram a ser na Belas Artes que todos conhecem, na Rua Emiliano Perneta. O avô adorava que a menina fizesse piano. Chegou até a assistir algumas aulas e fazia questão de ir a todas as apresentações na Escola de Música.
A menina pega a Marechal Hermes. Passa ao lado da Lysimaco Ferreira da Costa.
Giulia também andava de bicicleta com o avô, ele dirigindo e ela na garupa. Costumavam ir à casa da bisavó de Giulia, mãe de seu Fernando. A maioria das vezes que pedalavam, a menina fazia perguntas sobre a infância do avô, que contava como era morar em outra cidade quando era menor. O avô até inventara três personagens chamados menino, menininho e meninão que, como Giulia ficou sabendo mais tarde, eram a mesma pessoa: ele. Inventou esses personagens que representavam cada fase de sua vida. Menino, quando era criança, menininho, quando era bem pequeno e meninão, quando já era adolescente.
As histórias dos três personagens eram contadas enquanto o avô pedalava pelas ruas de Curitiba.
Uma das vezes que foram na casa da “bisa”, seu Fernando comentou com Giulia, que na época ainda era pequena, aquilo que ela já sabia de cor e salteado:
“Filhinha, sabia que você é a menininha do vovô?
-Sabia, vô.
-Eu não quero que você cresça e esqueça disso.
-Vô – Falou Giulia muito séria – eu vou ser sua menininha pra sempre. Até quando eu for super velha, tipo 10 anos!!!
Seu Fernando ri feliz.
-Até 10 anos, filhinha? Tudo isso? Que bom.
-Tudo isso. Pra sempre.”
Giulia passa ao lado da Ivo Leão dando risada e pensando que se ela fosse uma das personagens do avô ela não seria mais menininha, seria “meninona”! Achava legal a ligação que tinha com o avô. Eles eram amigos, desde a época de menininha.
A menina passa pela rua Mauá.
Com o avô, Giulia virou uma menina super entendida de Curitiba. Ele contou para a neta tudo sobre o Barão do Serro Azul, sobre o cinema chamado Cine Luz que pegou fogo, sobre as histórias das ruas, das praças, das pessoas que fizeram parte da cidade.
Passando ao lado da rua Augusto Severo lembra de ir ao Parque Barigui, no Bosque do Papa e no Jardim Botânico. De tomar sorvete na sorveteria Formiga, no Gaúcho, de comprar pipoca no centro, de ir às recreações do shopping Água Verde, de dar pãozinho pros peixes no Passeio Público e ver os Ipês amarelos da Praça Rui Barbosa florindo no fim do inverno.
O avô viu a menina crescer.
Giulia passou a rua Deputado Mário de Barros, caminhou mais um pouco e chegou no tão famoso Olho, o Museu de Oscar Niemeyer. Na entrada, sua companhia para a visita já esperava-a na porta, sorridente e com as entradas na mão.
-Oi, vô. Tudo bem com o senhor?
-Tudo, filhinha. Como foi vir sozinha?
-Foi tudo certo, mas tem mais graça com o senhor.
-Ah... Que bom!
-Vô?
-O que é?
-Sabia que eu continuo sendo sua menininha?
O avô foi pego de surpresa, por essa ele não esperava.
-Que bom, minha menininha – diz emocionado – mas eu achei que você só seria até os 10 anos.
-Pois é... Andei mudando de idéia. Quem sabe até os 100?
-Por mim tudo bem – o avô responde e os dois riem.
-Vô – Giulia começa de novo – Eu tava pensando em ir ao mercado depois do museu. O senhor quer que eu compre alguma coisa?
Seu Fernando dá risada e responde prontamente:
-Eu quero. Quero um sabonete, mas eu posso ir junto pra escolher?
Os dois continuam caminhando até entrar no museu, ao ouvir a pergunta, Giulia pára e fala pro avô:
-Poder ir pode, mas o senhor vai escolher o mesmo sabonete de sempre...
Os dois riem e entram no museu.
Estavam prontos para descobrir mais coisas. Prontos para ouvir sobre pessoas que fizeram parte da história. Prontos para ouvirem parte da história, sabendo que a deles já estava escrita e que contava sobre os dois.
Sobre os dois e uma tal cidade.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Normal em Curitiba

Os leitores acostumados com minhas postagens curtas provavelmente vão se assustar com a próxima.

Vou postar um conto sobre Curitiba que eu escrevi para um concurso ( e ganhei!).
O nome (Normal em Curitiba) foi baseado numa música de Rita Lee.

Aqui está a música.

Para Rita Lee, o essencial da vida é ser normal em Curitiba.

O nome podia ser “O essencial da vida”, visto que ser normal em Curitiba e o essencial da vida são a mesma coisa (ta conseguindo me acompanhar?)

E quando eu coloquei o nome no texto pensei justamente nisso.

Se para Rita o essencial é ser normal (em CWB), para Giulia (personagem do conto) o essencial é conviver com o avô.

E como as duas são a mesma coisa, e como o texto é sobre Curitiba...

Eis o nome do conto... Normal em Curitiba.

Deu pra entender? Ficou complexo? Hehehehe...

Enfim... Amanhã eu posto o conto!


Música do dia: High School Musical a Seleção, Como Eu Vou Fazer.


(Não... Você não leu errado, é HSM mesmo. Essa vida de irmã mais velha é assim: agente acaba escutando tanto sobre Hannah Montana, Zack e Cody e HSM, que acabamos até conversando sobre isso e ouvindo as músicas.)

Escutem! Ela é bonitinha!

Uh, sha la la la la la la la...


Beijos e até mais.

sábado, 21 de junho de 2008

Mais uma revelação britânica...

No último post aqui do blog, citei rapidinho a cantora Adele (na parte “Música do dia”).

Você já ouviu falar nela? Se não, fique ligado, pois essa menina ainda vai dar muito o que falar. Com apenas 19 anos, a cantora britânica lançou um cd chamado “19”, que tem músicas que falam sobre amor e assuntos cotidianos e é comparada a Amy Winehouse e Kate Nash (já ouviu falar nela?! Se ainda não, fique ligado no Blog Prosopopéia, ainda vamos falar dela), vozes da música atual.


Adele é formada pela Brit School for Performing Arts, escola de artes onde vários artistas importantes já estudaram (entre eles, adivinha quem?? ahha... Amy e Kate).

Pra você ter noção do poder da cantora inglesa, Adele cantou ao lado do produtor Mark Ronson.
Vale a pena escutar as músicas de Adele, que tem aquele vozeirão das cantoras negras de soul.
Para conferir a lista de vídeos da cantora, clique aqui.
Música do dia: continuo com Adele, Chasing Pavements.
Beijos e até mais!











quinta-feira, 19 de junho de 2008

Depois de muito tempo...

Olá!
Faz um tempo que postei falando que ia escrever no blog.
Até agora não escrevi nada, né?!
Ok...
Essa semana que passou, conheci o Felipe, dono do blog Defenestrando.
Enquanto agente conversava, ele perguntou: “Qual é o endereço do teu blog?”
Na hora eu fiquei: “Han?!Blog?!Eu?!Hm... Então... Eu já comecei um blog, mas ele nunca saiu do primeiro post”.
E é verdade. Nunca saiu do primeiro post.
Mas agora ele sai! To prometendo!

Música do dia: First Love, da Adele.


Pra quem quiser ouvir Adele
Pra quem quiser ler o blog do Felipe: Defenestrando


É isso, minha gente...

Beijos!